10 septembre 2013

LA MUSIQUE À LA FÊTE DE L'AVANTE DE 2013/A MÚSICA NA FESTA DO AVANTE DE 2013

Actualização de estado
De Fernando Cabrita Moreira
LA MUSIQUE À LA FÊTE DE L'AVANTE DE 2013

Tous les premiers "week-end" des mois de septembre à lieu près de Lisbonne, la grande fête du journal communiste "Avante" où en plus de l'ambiance (qui vas bien au delà des militants et sympathisants du parti), de la gastronomie, de la politique et des arts, en particulier la musique où les choix sont toujours bons et variées.
La révélation de cette année est sans doute la jeune chanteuse de fado GISELA JOÃO et l'émotion est venu du véteran groupe rock portugais UHF où des milliers de jeunes (et moins jeunes) chantaient en coeur des succès vieux de 30 ans ou des versions rock de JOSÉ AFONSO.

A MÚSICA NA FESTA DO AVANTE DE 2013

A Festa do Avante, orgão do P.C.P., tem lugar todos os anos,creio, desde 1976 no primeiro fim de semana de setembro, há muitos anos que vou até lá, pelo ambiente, pelos comes e bebes, pelos amigos e sobretudo pela música, pelas variadas e ótimas escolhas, como o TROVANTE, o meu grupo português preferido de sempre e até CELESTE RODRIGUES, a irmã de AMÁLIA que não tem nada mesmo nada de esquerda... que vi por lá há dois ou três anos!

Claro que é impossível ver tudo, vi o que pude e aqui vão as minhas impressões de quem ama a música lusófona até à perdição, impressões que valem o que valem de um amante mais sensorial do que objetivo... revi SÉRGIO GODINHO e os XUTOS & PONTAPÉS com agrado e alguma emoção mas, sem trazerem nada de novo.

Revi com muito prazer, alegria e até muita emoção (comunicativa) a jovem fadista GISELA JOÃO oriunda de Barcelos... que é urgente conhecer para quem ainda não ouviu, também ouvi um cantor de Beja, agora na moda por terras lusas, ANTÓNIO ZAMBUJO, com boas canções, bons arranjos e uma presença simpática que é apresentado por muitos como fadista mas que de facto pode ser tudo menos fadista!

A presença de grupos folclóricos é sempre bonita e interessante mas que atrai só meia dúzia de espetadores e é pena!
Vi também dois artistas cabo-verdianos, FANTCHA e ZÉ LUÍS, comunicativos mas que, ao ouvi-los, deixaram ainda mais saudades de CESÁRIA ÉVORA!

Muitos outros artista passaram pela festa do Avante de todos os géneros musicais que não vi, nem ouvi e certamente alguns deles execionais que ficarão para uma outra oportunidade...

Entre ouvi e vi a KUMPANIA ALGAZARRA que, para os meus ouvidos já muito gastos, faziam algazarra a mais, ouvi e vi com muita atenção o grupo DEOLINDA com a voz (pouco audível) e a presença (algo perdida) de ANA BACALHAU que francamente me desiludiu, talvez pelo cansaço do grupo ou porque o palco e a plateia eram demasiado grandes mas, nada a ver com o que vi há dois anos nas festas de Oeiras em que fiquei extasiado.

O que mais me impressionou e emocionou foi o grupo com que contava menos, talvez por isso mesmo, até porque nunca lhe achei muita graça exceto com a "Rua do Carmo"... antes do incêndio!
Trata-se claro do grupo UHF, ao ver toda aquela juventude a cantar velhos sucessos do grupo com mais de 30 anos como se fossem de hoje ou versões "rock" de músicas de JOSÉ AFONSO em que toda a gente participava, leva-me a ter ainda alguma esperança!

Até para o ano.

23 mai 2013

MÉMOIRES MUSICALES 23/05/2013

J'ai vu un de ces jours à la télévision portugaise une émission fantastique avec la pianiste Olga Prats qui ma beaucoup touché par sa sympathie et sa passion et ouverture pour la musique, si j'avais rencontré quelqu'un comme ça à l'école ou ailleurs, j'aurais peut-être appris et fait quelque chose avec la musique, en tout cas, avec le temps j'ai appris à l'aimer, surtout les musiques brésiliennes et portugaises et même à les divulguer à la radio belge pendant plus de 20 ans, musiques que m'entourent encore aujourd'hui ainsi que quelques chanteurs français, italiens, des musiques du monde, du rock, du jazz et que sais-je encore!

MEMÓRIAS MUSICAIS   23/05/2013

Num dia destes vi um programa fantástico na RTPi,  já à meia-noite, talvez não tivesse sido o programa que foi fantástico mas antes a personagem, a pianista Olga Prates, vi até ao fim, já a cair de sono com o maior prazer e fiquei a questionar-me se tivesse encontrado na minha juventude uma senhora ou um senhor como Olga Prates ou Atónio Victorino de Almeida, talvez tivesse feito alguma coisinha com a música que apresentada assim é tão bela...

Esta maravilhosa senhora fez-me lembrar a minha querida mãe que, lamento imenso para ela e para mim também, não ter continuado o piano, por causa da cunhada que a proibia de tocar quando foi viver para casa dela, por falecimento do pai, o meu avô materno, se tivesse continuado talvez me tivesse aprendido a tocar qualquer coisinha, enfim, tenho como recordação algumas pautas de música da sua juventude azarenta de qualquer forma transmitiu-me o prazer em ouvir música.

Lembro-me que quando era muito jovem e havia lá em casa um gravador Gelloso (o meu irmão sempre gostou das novas tecnologias) e também uma viola, arranhei alguns sons que deviam ser muito modernos sem saber nada do que se passava pelo mundo fora e em particular no campo musical, será poderia ter sido um Jimmy Hendrix português? Passei ao lado de tanta coisa, esta foi só uma...pelo menos no meu imaginário...

Bem mais tarde fui apanhado a lidar com música, a divulgar música portuguesa e lusófona na rádio belga, no começo não conhecia nada, comecei a ouvir e a gostar, até encontrei muitos artistas que entrevistei, como José Afonso, Amália Rodrigues, Cristina Branco, Carlos do Carmo, Maria João e muitos e muitos outros.

Na adolescência, a partir de meado dos anos sessenta do século passado,  fui "embalado" ao som do programa do então Rádio Clube Português "Em Órbita" que só passava música anglo-saxónica até ao dia que passou uma música portuguesa e em português do Quarteto 1111 de boa memória mas foi um exemplo esporádico, já não estava em Portugal quando do fenómeno do programa de televisão "Zip-Zip" e a música portuguesa só havia de fazer parte da minha vida muito mais tarde com José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fanhais, na altura achava o fado piroso mesmo o de Amália Rodrigues que hoje adoro, coisas da idade e da altura...

A música clássica nunca me atraiu o que talvez tivesse acontecido se a minha mãe tivesse continuado a tocar piano, com o tempo apaixonei-me pela  Música Popular Brasileira com Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia o que me levou à  Música Popular Portuguesa, ao fado, à música de raiz folclórica, ao rock, ao jazz, à música africana, às músicas do mundo, todas elas me emocionam ainda hoje, atualmente também me identifico muito com a programação musical da RDP/Antena 1, ouço ainda com muito prazer alguns artistas franceses, italianos, latino americanos e claro e sempre o rock-pop anglo-saxónico e, nem que fosse a propósito, ao acabar de escrever estas linhas, recebi a notícia da morte do grande Georges Moustaki que muito me entristeceu,  lembram-se do Fado Tropical?

(Continua num dia destes)
CRÓNICAS FERNANDINAS    CHRONIQUES FERNANDINES    21  MAI(O) 2013       

EST-CE QU'AU PORTUGAL LA JEUNESSE EST ANESTHÉSIÉ?

Après un débat à la télévision portugaise avec des jeunes et sur leur avenir au Portugal, il me semble qu'ils sont pour la plupart des vieux avant l'âge et sans l'impertinence propre à l'âge, ça ne m'étonne pas qu'ils préfèrent émigrer que lutter pour un meilleur avenir au pays, c'était vraiment le portrait d'un pays anesthésié...

UM PRÓS & CONTRAS SOBRE A JUVENTUDE POUCO CONVINCENTE

Muita parra e pouca uva no Prós & Contras dedicado ao que pensam os jovens portugueses do futuro...
Lembrou-me os tempos da minha juventude em que se julgava saber tudo quando se tinha vinte anos mas agora sem o atrevimento de outrora, onde está a audácia que é (ou era?) própria à juventude? Parece que está toda a gente (ou quase) sob o efeito de calmantes...
Havia uma menina bem, a intelectual de esquerda que tinha mais perto dos trinta do que dos vinte anos, bem pensante também, com ideias claras de que é preciso ir buscar aos lucros das empresas o dinheiro necessário para sustentar a segurança social, isto é os lucros feitos pelas máquinas com a dispensa dos trabalhadores, deve ajudar a sustentar os desempregados.
Havia um menino da Universidade Católica que prepara bem a sua entrada no mundo da política, tão conservador, ou mais ainda do que os seus mestres mas, tentando escamotear com muito palavreado...
Ao lado deste rapaz estava outra menina bem, jurista mas que não exerce (não deve precisar...) que afirmava que hoje não há diferença entre esquerda e direita mas, para tentar esconder o seu conservadorismo, agitava-se muito mas dali não saía nada de jeito, nem para um lado nem para o outro...
Do mesmo lado estava um jovem professor universitário, já trintão, que dava também uma no cravo e outra na ferradura mas acabando por afirmar que o ministro das finanças, que tem posto o país e a economia de rastos tinha de sair...
Do outro lado um casalinho contestatário mas que pouco se fez ouvir ou fui eu que não dei por isso, sem grandes ideias inovadoras, lembrava-me as numerosas conversas estéreis da juventude, cheias de boas intenções mas que não levavam a lugar nenhum...
Do lado do público dois jovens empreendedores tidos como os salvadores da Pátria mas muito contestados porque Portugal não pode ser só um país de empresários, um país de comerciantes, artesãos, profissões liberais e gestores, até porque não podem trabalhar sozinhos?
Nessa altura houve uma discussão muito surrealista entre um dos jovens empreendedores, o de 16 que criou uma linha de roupa que faz fabricar em Portugal e a senhora bem, que parece que é historiadora que começou a insultá-lo por utilizar mão de obra muito mal paga...
Francamente, não sei se a juventude portuguesa estava bem representada, se foi um acaso ou se foi uma escolha deliberada da produção mas, o que é certo, é que ao que vi não augura nada de bom, para nós e sobretudo para os jovens ou talvez seja eu que já esteja  a perder o juízo ou a paciência... de qualquer foi um programa para esquecer!

24 avril 2013

LES CHRONIQUES DE FERNANDO     (24/04/2013)

Il paraît qu'être bilingue éloigne le danger de la maladie d'Alzheimer alors je profite pour essayer de faire un petit résumé de mes chroniques en français, aujourd'hui c'est la reconnaissance du portugais comme ma langue de référence et la reconnaissance que pour être artiste il faut quand même être narcissiste pour créer et exister.

CRÓNICAS FERNANDINAS         (24/04/2013)

Isto de estar doente tem as suas vantagens e também inconvenientes...

As principais vantagens é a de ter tempo para ler e pensar e o pior inconveniente é o de quando começa a surgir aneura é o vasculhar na internet, no facebook e até na cabecinha que com anos já está muito dura!

Segundo o poeta Fernando Pessoa, a minha Pátria é a minha língua, a língua portuguesa, ora como nasci português, a minha língua materna é o português, estudei em português até aos 20 anos, sou português, sinto-me português, mesmo depois de mais de quarenta anos de boa integração na Bélgica e como ainda arranho umas coisinhas de português, vou continuar a escrever as minhas "Crónicas Fernandinas", na minha língua que é em definitivo a minha Pátria, até porque é também uma bela língua universal tal como a francesa que se tornou na prática a minha língua de comunicação quotidiana com as pessoas que me rodeiam.

Pessoas no sentido de "seres", o único sentido que há em português para a palavra "pessoa" pois "ninguém", como muitos francófonos julgam que "pessoa" também significa "personne" como em francês, o que até tem dado muito jeito a alguns intelectuais em busca de um certo exotismo para "brincarem" com o nome do poeta mas, infelizmente para eles, "pessoa" em português só significa "ser" ou algo de equivalente...

Quando estiver inspirado, lá farei talvez um resumo ou outro em francês mas, não me esforçarei lá muito, até porque há quem escreva muito melhor em francês do que eu... e também serve para marcar  uma presença diferente neste mundo francófono que se julga ainda o centro do mundo, esquecendo que muitas outras culturas e línguas existem como a nossa que até é a segunda mais utilizada no "Facebook", nas vésperas do 25 de abril definitivamente Viva à Liberdade e não à submissão!

Já agora, ser bilingue parece que é uma boa coisa para evitar a doença de Alzheimer, tal como aprender uma palavra nova todos os dias e sem dúvida também ir escrevendo umas coisinhas por aqui...

O pior em estar doente é que temos muito tempo a perder e às vezes sós em frente do computador e com a febre a ajudar, a obsessão sobe, sobe, sobe como um balão e quando se vê uma imagem que já tínhamos visto umas semanas atrás mas que tinha entretanto desaparecido e que nos lembramos que isso já tinha sucedido várias vezes,  fez-me saltar da cadeira e reagir de imediato o que é sempre mau, esquecendo-me ainda por cima que estava a reagir a um grande amigo que é artista, ora os artistas têm de ser narcisistas para criarem e existirem e que por arrasto precisam também da sua corte de admiradores, só a noite é que me permitiu abrir os olhos e vir agora pedir as minhas desculpas.

09 avril 2013

O TRIBUNAL CONSTITUCIONAL, A IMPRENSA E O GOVERNO...

O governo de Pedro Cacos Coelho queria governar num país sem rei e nem lei e vê-se a cabala que foi feita por alguns orgãos da comunicação social, entre eles a RTP, ao denunciar (e muito bem mas, na má altura) as reformas dos juízes após pouco tempo de serviço, para denegrir o que fosse decidido pelo Tribunal Constitucional e preparar a agressão verbal que o primeiro-ministro fez contra este orgão de soberania.

31 mars 2013

CRÓNICAS FERNANDINAS... O REGRESSADO  SÓCRATES

Como cerca de 1 milhão e 700 mil portugueses assisti e apreciei o regresso à ribalta de Sócrates, se alguém achar interessante a opinião deste estrangeirado ainda apaixonado por Portugal, pode ler, senão aconselho navegar para outras paragens até para evitar, quem sabe, algum enervamento o que não vale francamente a pena...

Em dois pontos estou absolutamente de acordo com o Regressado Sócrates, a opinião que tem sobre o Não dá Cavaco e sobre o "Correio da Manhã", quando folheio este jornal até parece que a Chicago dos anos 30 do século passado se mudou para o Portugal de hoje, escondendo que o país, tal como Lisboa, são ainda hoje dos lugares mais seguros da Europa e do Mundo, quanto à má língua é melhor não dar à língua pois talvez ainda me ponham em tribunal... Quanto a Cavaco que não dá cavaco é muito mais complexo!

 Claro que foi o presidente que está na origem da crise em que se vive mas, claro também, que não foi o único... e já vem de trás, dos tempos de primeiro ministro, com o desmantelamento das indústrias e em particular a das  pescas que agora parece defender e também o abandono da agricultura, o início das parcerias público privadas com a construção do Hospital Amadora Sintra, a proliferação de autoestradas e o abandono progressivo dos caminhos de ferro e até a construção milionária do Centro Cultural de Belém para acolher a Europa que lhe oferecera miragens com jorros de dinheiro a acompanhar.

No fundo, os países industriais europeus, os que mandam efetivamente na Europa mas com a cumplicidade dos pequeninos, queriam preparar a nossa mão de obra barata, tal como a dos outros países do sul europeu, para substituir a chinesa que já estava a encarecer demasiado e que passariam assim a fornecer, sem recorrer a transportes dispendiosos, o que as grandes empresas europeias precisassem e tudo corria às mil maravilhas até que a ganância da banca e dos financeiros deitaram tudo abaixo.

Isto faz-me pensar ao que Pedro Cacos Coelho quer fazer, ao que se chamava em tempos ídos pessoal menor da função pública, pois para os conseguir por na rua quer dar-lhes umas migalhas como compensação... só que o dinheiro se evapora num ápice, num carro em que sempre sonhou, numa casa que não se conseguia comprar, numa doença que pode surgir de repente, num comércio para que o qual não se estava preparado e depois, ficam na miséria tal como o país! A história repete-se mas noutra escala é certo...

Voltemos ao Regressado Sócrates que acusa o agora Não dá Cavaco, com os seus disciplos que ajudou a por no poder, em ter dado cavaco a mais na altura em que Sócrates era primeiro-ministro para o deitar abaixo! Aí tem razão.

Mas o Regressado Sócrates não é santinho nenhum, lembro-me muito bem como tratou tão mal os professores e também o de ter diminuído as pequena pensões...

Nunca fui "Socrista" ou "Socrático" ou que for mas, tenho de reconhecer que nos seus consulados reinava o ótimismo e se previam futuros risonhos, sem dúvida irrealistas mas, nessa altura ainda era permitido sonhar o que já não era nada mau...